Notícias -Feb 11, 2026

Bill of materials: o que é e como fazer

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Um bill of materials (BOM) é um dos documentos mais estratégicos para quem trabalha com produção, transporte e comércio, especialmente em Brasil e na América Latina, onde a eficiência de custos e o controle de estoque fazem a diferença entre sobreviver e crescer.

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Bill of materials: o que é e como fazer

Seja numa fábrica, numa operação de e-commerce, numa transportadora ou na manutenção de uma frota, o BOM vira o “mapa” que garante que cada peça, insumo e etapa esteja sob controle.

O que é bill of materials (BOM)?

Um bill of materials (BOM), ou lista de materiais, é um documento estruturado que reúne todos os componentes, peças, insumos e materiais necessários para produzir, montar, manter ou reparar um produto ou serviço. 

Ele funciona como uma espécie de “receita” de produção, indicando o que será utilizado, em que quantidade e, muitas vezes, em que sequência esses itens entram no processo.

Na prática, o BOM costuma incluir desde matérias‑primas e subconjuntos (como kits e módulos) até itens de embalagem e acabamento, além de códigos, descrições e unidades de medida de cada componente. 

Geralmente inclui o seguinte:

  • Componentes (peças, itens comprados, subconjuntos)

  • Matérias-primas (químicos, chapas, insumos)

  • Consumíveis (fitas, etiquetas, parafusos, abraçadeiras)

  • Embalagens (caixa, berço, lacre, filme)

  • Quantidades por unidade

  • Versões/revisões (para controlar mudanças)

  • Onde usar (linha, veículo, kit, produto, lote)

Para empresas de manufatura, logística, manutenção de frotas e comércio, essa lista é a base para planejar compras, calcular custos, organizar o estoque e garantir que cada ordem de produção ou serviço seja executada sempre da mesma forma, com padronização e rastreabilidade.

Estrutura de um BOM

Em geral, um bill of materials (BOM) inclui:

  • Nível da BOM (BOM level): indica a hierarquia entre produto final, subconjuntos e componentes.

  • Número da peça (part number) e nome da peça: identificadores únicos para cada componente.

  • Descrição: detalha o que é o material ou componente.

  • Quantidade e unidade de medida: define “quantos” e “como” o item é consumido (unidade, metro, caixa, peso etc.).

  • Tipo de aquisição (procurement type): se o item é comprado, produzido internamente ou terceirizado.

Essa estrutura é essencial para planejamento de compras, controle de estoque e custo do produto, reduzindo a chance de faltas ou excessos que elevam o custo de produção.

Tipos de bill of materials

Dependendo do estágio do produto e da área da empresa, existem diferentes tipos de BOM.

Bill of materials de engenharia (EBOM)

Feita pelo time de engenharia ou design, descreve o produto “como foi projetado”, incluindo componentes, materiais e níveis de montagem. 

É comum em setores como automotivo e eletrônicos, onde um produto pode ter milhares de peças.

Bill of materials de fabricação (MBOM)

O MBOM traduz o projeto em plano de produção real, com detalhes de linhas de montagem, embalagens, materiais de consumo (cola, adesivos etc.) e previsão de perdas no processo. 

Esse é o tipo que mais impacta na logística interna, pois define quando e quanto cada material precisa chegar na linha.

Bill of materials de vendas (SBOM)

O SBOM mostra o produto como é vendido, agrupando o item principal e componentes adicionais (acessórios, manuais, embalagem promocional etc.). 

Essa visão é útil para transportistas e comerciantes que precisam montar kits de entrega padronizados.

Como fazer uma bill of materials passo a passo

Criar um BOM bem estruturado não precisa ser complicado se você seguir etapas claras.

1. Defina o objetivo do BOM

Antes de listar peças, defina para que serve essa BOM:

  • Produção em linha?

  • Montagem de kit para entrega?

  • Preparação de carga para transporte?

Isso determina se o BOM será single‑level (lista simples, como uma “lista de compras”) ou multi‑level (com hierarquia detalhada de subconjuntos).

2. Identifique o produto final e seus componentes

Comece pelo produto acabado e, depois, desmembre em:

  • Subconjuntos (ex.: módulos de um equipamento).

  • Componentes (parafusos, cabos, etiquetas).

  • Materiais de consumo (adesivo, embalagem, embalagem secundária).

Use desenhos técnicos ou CAD para garantir que nenhum item esquecido comprometa a produção.

3. Defina nível, identificação e quantidade

Para cada item, estabeleça:

  • Nível na BOM (ex.: nível 1 = produto final; nível 2 = subconjuntos).

  • Código de peça e nome único.

  • Quantidade necessária por unidade do produto final.

Evite códigos e descrições ambíguas, como “parafuso grande”, que geram erros de estoque e compras.

4. Inclua regras de aquisição e unidade de medida

Indique se o item é:

  • Comprado de fornecedor.

  • Feito internamente.

  • Terceirizado.

Defina também a unidade de medida (unidade, metro, quilograma, caixa) para evitar erros na compra e na logística.

5. Use software para gerenciar a BOM

Agrupar milhares de componentes em planilhas manuais é inviável. ERP, PLM ou sistemas especializados em gestão de BOM ajudam a:

  • Centralizar a lista de materiais.

  • Controlar versões e alterações.

  • Integrar com compras, estoque e produção.

Hoje, muitas dessas soluções usam inteligência artificial para sugerir substituições de materiais, detectar conflitos de estoque e prever impactos de mudanças na BOM. 

Bill of materials em logística e transporte

Em empresas que vendem, distribuem ou entregam mercadorias, o BOM vai além da produção. 

Ele ajuda a:

  • Planejar a montagem de pedidos (kits, embalagens promocionais, materiais de marketing em cada entrega).

  • Definir what goes where na rota, reduzindo erros de separação e devoluções.

Aqui entra em cena a tecnologia de roteirização e gestão de entregas: ao integrar o BOM com um sistema de rotas inteligente, você consegue alimentar a rota com quais materiais devem ir em quais veículos, evitando falta de item na entrega ou sobra de carga.

Erros comuns ao criar uma bill of materials

Mesmo empresas experientes cometem erros simples que custam caro.

  • Falta de padronização: códigos, nomes e unidades de medida diferentes entre departamentos geram confusão.

  • Atualização defasada: mudanças de projeto não refletidas na BOM levam a compras equivocadas e retrabalho.

  • Não incluir materiais de consumo: cola, adesivos, embalagens, braçadeiras etc. acabam gerando falta inesperada na linha.

Para evitar isso, crie um processo de validação cruzada entre engenharia, produção, compras e logística, e use sistemas digitais com controle de versões e histórico de alterações.

Um bill of materials (BOM) bem estruturado é muito mais do que uma lista de peças: é o esqueleto do processo produtivo e logístico de qualquer empresa que fabrica, monta ou entrega produtos. 

Para donos de frota, transportistas, comerciantes e equipes de produção em Brasil e América Latina, dominar a BOM significa reduzir custos, aumentar a velocidade de entrega e ganhar margem de manobra em um mercado cada vez mais competitivo.

Ao integrar essa estrutura com tecnologia e inteligência artificial, como plataformas de roteirização e gestão de entregas, sua operação se torna mais precisa, previsível e escalável.

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